Como medir a glicemia em casa?
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A medição em casa segue esta ordem: mãos lavadas com sabão, um único furo na lateral do dedo, a primeira gota que sai e a tira. O que define a precisão não é a marca do aparelho, e sim a própria ordem. Um dedo sujo, ou uma gota espremida para fora, desloca o número do seu valor real.
Na maioria dos aparelhos, a enzima na ponta da tira reage com a glicose ao tocar o sangue e deixa para trás uma corrente elétrica muito pequena. O aparelho lê e converte essa corrente em número; na tela, você não vê o sangue em si, e sim o resultado da química da tira com ele. Se algo além de sangue chega à tira, entra na conta do aparelho. A medição correta começa antes do furo.
- Lave as mãos com sabão e água morna, depois seque bem na toalha.
- Tire a tira do tubo e feche logo a tampa; não o deixe aberto.
- Apoie a lanceta na lateral da ponta do dedo, não bem no centro.
- Fure e espere a primeira gota se formar sozinha.
- Encoste a ponta da tira na gota; não espalhe o sangue por cima.
- Pressione um lenço limpo no dedo e segure alguns segundos.
- Assim que ler o número, anote com a hora; serve caderno de papel ou um aplicativo como ForMyGluco.
A etapa de lavar não é enfeite. Hortensius et al. (2011) mediram, num dedo que tocou fruta, a primeira gota alterada em cerca de nove em dez pessoas. A recomendação do mesmo estudo é clara: lave, seque, use a primeira gota. A revisão de Ginsberg explica o motivo. Os aparelhos atuais usam um volume muito pequeno de sangue. Até um resíduo de açúcar com peso de grão de poeira puxa o resultado para cima. Cortar maçã no café da manhã e enxugar a mão na toalha não substitui a lavagem.
Se a gota não vem, não aperte o dedo; baixe a mão alguns segundos e tente de novo. O estudo de Hortensius mostra que pressão externa no dedo pode tornar o resultado pouco confiável. Nem sempre há torneira por perto. Se a mão não parece suja a olho nu, limpar a primeira gota e usar a segunda é uma solução razoável. Dados de um estudo hospitalar também encontraram as duas gotas próximas entre si no uso diário.
| O que você faz | Efeito na medição |
|---|---|
| Medir com as mãos não lavadas | O resíduo puxa o número para cima. |
| Espremer o dedo para tirar sangue | O resultado pode sair pouco confiável. |
| Deixar o tubo de tiras aberto ou no calor | A tira estraga, a medição desvia. |
- Em qual dedo se mede a glicemia?
- Prefira dedos que não sejam o polegar nem o indicador; você os usa menos durante o dia. Troque de dedo a cada medição; repetir o mesmo ponto endurece a pele.
- Como verificar a glicemia em jejum?
- Meça ao levantar de manhã, sem comer nada durante a noite; água pode, chá e café encerram esse jejum.
- Quando se mede a glicemia pós-refeição?
- A contagem começa na primeira garfada, não na última; medir a mesma refeição na mesma hora em dois dias seguidos diz muito mais que um número só.
- Reutilizar a mesma lanceta é um problema?
- A ponta da lanceta fica cega no primeiro furo e dói mais no segundo uso; então ponha uma nova a cada medição.
Fontes consultadas
- Hortensius J, Slingerland RJ, Kleefstra N, Logtenberg SJJ, Groenier KH, Houweling ST, Bilo HJG. Self-monitoring of blood glucose: the use of the first or the second drop of blood. Diabetes Care. 2011;34(3):556-560. doi:10.2337/dc10-1694
- Ginsberg BH. Factors affecting blood glucose monitoring: sources of errors in measurement. Journal of Diabetes Science and Technology. 2009;3(4):903-913. doi:10.1177/193229680900300438
- Li M, Wang X, Shan Z. Deciding between using the first or second drop of blood for the self monitoring of blood glucose. Primary Care Diabetes. 2014;8(4):365-369. doi:10.1016/j.pcd.2014.03.003
- Türkiye Endokrinoloji ve Metabolizma Derneği (TEMD). Diabetes Mellitus ve Komplikasyonlarının Tanı, Tedavi ve İzlem Kılavuzu-2026. 17. Baskı. TEMD; 2026. ISBN 978-625-99759-8-6