O que é a curva glicêmica (OGTT)?
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A curva glicêmica mede onde a glicemia chega ao fim de um tempo fixo, depois de se beber uma solução medida de glicose. Em vez do valor de um só momento, o começo antes da sobrecarga fica lado a lado com o quadro horas depois. Por isso as horas de espera são a parte principal do teste, não tempo perdido.
O teste começa quando se bebe uma solução doce, preparada sempre na mesma medida. Colhe-se primeiro uma amostra de sangue, depois, passada uma espera determinada, repete-se a mesma coleta. A pergunta é uma só: depois da sobrecarga, o valor desce de novo, e quanto dura a descida? Se a resposta é forte, o valor sobe, faz um pico e cai rápido. Se é fraca, a descida se arrasta. O teste lê o ponto onde se chega no fim da espera.
Uma única amostra de sangue é uma fotografia. O teste de sobrecarga acrescenta um segundo quadro; com os dois lado a lado, o movimento aparece. Não sair da cadeira da sala de espera também tem a ver com esse arranjo. O músculo em atividade puxa para dentro de si a glicose do sangue; subir escadas ou dar voltas no corredor derruba a curva abaixo do que ela é. Fumar desloca o quadro do mesmo jeito. E o lanche na bolsa fica fechado, para que todos sejam medidos nas mesmas condições.
Duas forças separadas definem o formato da curva. A primeira, a velocidade com que o açúcar bebido passa do intestino para o sangue. A segunda, a capacidade do pâncreas de entrar em cena e mandar o excesso para dentro das células. Se as duas se acompanham, o pico fica baixo e a descida termina rápido. Se não acompanham, o pico chega tarde e a descida se arrasta. O teste não separa uma da outra; reúne o resultado conjunto das duas numa única medida.
O estado do pâncreas não define sozinho o formato da curva; alguns outros fatores entram em jogo.
- A alimentação dos dias anteriores: alguns dias longe do carboidrato reduzem temporariamente a capacidade do corpo de encarar a sobrecarga.
- O movimento durante o teste: até uma caminhada curta distorce a curva, porque os músculos puxam a glicose.
- Infecção, febre, lesão e estresse pesado que apareçam nesse meio-tempo.
- Derivados de cortisona e remédios diuréticos.
- Ficar muito tempo de cama; a falta de movimento enfraquece a força do corpo para encarar a glicose.
Na gravidez a curva glicêmica tem um lugar à parte. Um único resultado em jejum muitas vezes não entrega a dificuldade que aparece mais adiante. A dificuldade só fica visível quando se dá a sobrecarga. O momento desse teste na gravidez, suas etapas e critérios próprios ficam num texto à parte sobre o diabetes gestacional.
O teste também tem um lado fraco conhecido. Repetido na mesma pessoa com dias de intervalo, o resultado não sai igualzinho; a repetibilidade do valor pós-sobrecarga é baixa. Por isso o resultado se lê junto com o quadro inteiro da pessoa, não sozinho. Ainda assim, o retorno desse trabalho de uma manhã cedo, de estômago vazio e espera longa, é claro: ele torna visível a lentidão que um número sozinho esconde.
Fontes consultadas
- Zubair M, Launico MV. Glucose Tolerance Test. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2026. Bookshelf ID: NBK532915.
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- World Health Organization. Diagnostic criteria and classification of hyperglycaemia first detected in pregnancy. Geneva: WHO; 2013. 63 s. Belge no: WHO/NMH/MND/13.2.
- Davidson MB, Schriger DL, Peters AL, Lorber B. Revisiting the oral glucose tolerance test criterion for the diagnosis of diabetes. J Gen Intern Med. 2000;15(8):551–555. doi:10.1046/j.1525-1497.2000.08024.x
- Türkiye Endokrinoloji ve Metabolizma Derneği (TEMD). Diabetes Mellitus ve Komplikasyonlarının Tanı, Tedavi ve İzlem Kılavuzu-2026. 17. Baskı. TEMD; 2026. ISBN 978-625-99759-8-6