O que é cetoacidose diabética?
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Na cetoacidose diabética, as cetonas se acumulam e acidificam o sangue quando o efeito da insulina fica fraco demais para frear a quebra de gordura. O curso se agrava em horas ou em um ou dois dias. É mais frequente no diabetes tipo 1, mas ocorre também no tipo 2. Este texto conta como o quadro se arma.
A cetoacidose não vem de um acontecimento só, mas de mudanças que se sobrepõem. A produção de cetonas nunca para; o texto sobre as cetonas conta como ela começa. Quando as cetonas se acumulam, o equilíbrio do sangue pende para o lado ácido. A isso se soma a perda de água; o texto sobre o hiperosmolar trata do quadro em que ela domina sozinha. O que arma a cetoacidose é esse avanço simultâneo.
Por trás dessas mudanças está uma só falta: o efeito da insulina fica insuficiente. Insuficiência não quer dizer ausência. Em algumas pessoas a insulina é mesmo muito pouca. Em outras ela existe, mas não basta para frear a quebra de gordura. Por isso as diretrizes definem o quadro não pela ausência absoluta, mas pela insuficiência do efeito. Daí o quadro aparecer também no diabetes tipo 2.
Cada uma dessas mudanças mostra por fora o seu próprio sinal. O quadro não se revela por um sintoma só, mas pelos sinais que aparecem juntos.
| No corpo | Visto de fora |
|---|---|
| Sangue pendendo para o lado ácido | Respiração profunda e rápida |
| Cetonas saindo pela respiração | Cheiro de fruta na boca |
| Água perdida pela urina | Boca seca, fraqueza, tontura ao levantar |
| Digestão ficando mais lenta | Náusea, vômito, dor de barriga |
| Cérebro afetado pelo equilíbrio de líquido e ácido | Sonolência, atenção dispersa, confusão mental |
Os sinais não vêm todos juntos nem na mesma ordem. Em um quadro a náusea vem à frente, em outro a respiração. Há quem compare o cheiro de fruta ao do removedor de esmalte, mas na maioria das vezes a própria pessoa não o percebe, e quem está ao lado percebe. A dor de barriga pode lembrar um mal-estar comum de estômago. O que distingue é a dor não vir sozinha; com boca seca, respiração profunda ou sonolência junto, o quadro é outro.
A cetoacidose não segue um curso lento. Agrava-se em horas ou em um ou dois dias. Um quadro que começa de manhã com náusea leve pode parecer bem outro à noite. A velocidade é o traço mais evidente que separa a cetoacidose de uma medição alta comum, e também o que torna valioso reconhecer o quadro cedo.
No diabetes tipo 1 a produção de insulina já é muito baixa, por isso o quadro aparece com mais frequência nesse grupo. O diabetes tipo 2 também não está isento e não é tido como raro. Infecção, doença grave, procedimento cirúrgico ou alguns grupos de medicamentos preparam o terreno. A infecção tem sinais próprios: febre, calafrios, tosse, dor de garganta, ardência ao urinar, vermelhidão no pé, uma ferida com secreção ou que não fecha. Nos dias de doença o corpo precisa de mais insulina, mas o apetite cai. Há também uma forma que se desenvolve sem que a medição suba de modo evidente, e isso é assunto de outro texto.
Reconhecer a cetoacidose não depende de uma única medição, mas de ver os sinais em conjunto. A medição de cetonas é só uma parte dessa leitura. Avaliar em que ponto o quadro está e o que ele exige é trabalho da equipe de cuidado.
Fontes consultadas
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- Lizzo JM, Goyal A, Kaur J. Adult Diabetic Ketoacidosis. In: StatPearls. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2026 Jan-. Updated 30 November 2025. Bookshelf ID: NBK560723.
- American Diabetes Association Professional Practice Committee. 6. Glycemic Goals, Hypoglycemia, and Hyperglycemic Crises: Standards of Care in Diabetes—2026. Diabetes Care. 2026;49(Supplement_1):S132–S149. doi:10.2337/dc26-S006
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