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Açúcar alto e emergências

O que é cetoacidose diabética?

· 2 min

Dois painéis de cobre oxidado em turquesa embutidos em uma parede de pedra marrom-acinzentada; há um rastro de mudança de cor que escorreu do alto dos painéis para baixo.

Na cetoacidose diabética, as cetonas se acumulam e acidificam o sangue quando o efeito da insulina fica fraco demais para frear a quebra de gordura. O curso se agrava em horas ou em um ou dois dias. É mais frequente no diabetes tipo 1, mas ocorre também no tipo 2. Este texto conta como o quadro se arma.

A cetoacidose não vem de um acontecimento só, mas de mudanças que se sobrepõem. A produção de cetonas nunca para; o texto sobre as cetonas conta como ela começa. Quando as cetonas se acumulam, o equilíbrio do sangue pende para o lado ácido. A isso se soma a perda de água; o texto sobre o hiperosmolar trata do quadro em que ela domina sozinha. O que arma a cetoacidose é esse avanço simultâneo.

Por trás dessas mudanças está uma só falta: o efeito da insulina fica insuficiente. Insuficiência não quer dizer ausência. Em algumas pessoas a insulina é mesmo muito pouca. Em outras ela existe, mas não basta para frear a quebra de gordura. Por isso as diretrizes definem o quadro não pela ausência absoluta, mas pela insuficiência do efeito. Daí o quadro aparecer também no diabetes tipo 2.

Cada uma dessas mudanças mostra por fora o seu próprio sinal. O quadro não se revela por um sintoma só, mas pelos sinais que aparecem juntos.

No corpoVisto de fora
Sangue pendendo para o lado ácidoRespiração profunda e rápida
Cetonas saindo pela respiraçãoCheiro de fruta na boca
Água perdida pela urinaBoca seca, fraqueza, tontura ao levantar
Digestão ficando mais lentaNáusea, vômito, dor de barriga
Cérebro afetado pelo equilíbrio de líquido e ácidoSonolência, atenção dispersa, confusão mental

Os sinais não vêm todos juntos nem na mesma ordem. Em um quadro a náusea vem à frente, em outro a respiração. Há quem compare o cheiro de fruta ao do removedor de esmalte, mas na maioria das vezes a própria pessoa não o percebe, e quem está ao lado percebe. A dor de barriga pode lembrar um mal-estar comum de estômago. O que distingue é a dor não vir sozinha; com boca seca, respiração profunda ou sonolência junto, o quadro é outro.

A cetoacidose não segue um curso lento. Agrava-se em horas ou em um ou dois dias. Um quadro que começa de manhã com náusea leve pode parecer bem outro à noite. A velocidade é o traço mais evidente que separa a cetoacidose de uma medição alta comum, e também o que torna valioso reconhecer o quadro cedo.

No diabetes tipo 1 a produção de insulina já é muito baixa, por isso o quadro aparece com mais frequência nesse grupo. O diabetes tipo 2 também não está isento e não é tido como raro. Infecção, doença grave, procedimento cirúrgico ou alguns grupos de medicamentos preparam o terreno. A infecção tem sinais próprios: febre, calafrios, tosse, dor de garganta, ardência ao urinar, vermelhidão no pé, uma ferida com secreção ou que não fecha. Nos dias de doença o corpo precisa de mais insulina, mas o apetite cai. Há também uma forma que se desenvolve sem que a medição suba de modo evidente, e isso é assunto de outro texto.

Reconhecer a cetoacidose não depende de uma única medição, mas de ver os sinais em conjunto. A medição de cetonas é só uma parte dessa leitura. Avaliar em que ponto o quadro está e o que ele exige é trabalho da equipe de cuidado.

Fontes consultadas

  1. Umpierrez GE, Davis GM, ElSayed NA, et al. Hyperglycemic Crises in Adults With Diabetes: A Consensus Report (ADA, EASD, JBDS, AACE, DTS). Diabetes Care. 2024;47(8):1257–1275.
  2. Lizzo JM, Goyal A, Kaur J. Adult Diabetic Ketoacidosis. In: StatPearls. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2026 Jan-. Updated 30 November 2025. Bookshelf ID: NBK560723.
  3. American Diabetes Association Professional Practice Committee. 6. Glycemic Goals, Hypoglycemia, and Hyperglycemic Crises: Standards of Care in Diabetes—2026. Diabetes Care. 2026;49(Supplement_1):S132–S149. doi:10.2337/dc26-S006
  4. Rodriguez Alvarez P, San Martin VT, Morey-Vargas OL. Hyperglycemic crises in adults: A look at the 2024 consensus report. Cleve Clin J Med. 2025;92(3):152-158. doi:10.3949/ccjm.92a.24089
  5. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Type 1 diabetes in adults: diagnosis and management. NICE guideline NG17; 2015, last updated 2022.
  6. Türkiye Endokrinoloji ve Metabolizma Derneği (TEMD). Diabetes Mellitus ve Komplikasyonlarının Tanı, Tedavi ve İzlem Kılavuzu-2026. 17. Baskı. TEMD; 2026. ISBN 978-625-99759-8-6

Este texto é apenas informativo; não é diagnóstico, tratamento nem recomendação de dose. Tome as decisões sobre o seu tratamento sempre junto com o seu médico.

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