O que é glucagon, quando ele é necessário?
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O glucagon é o hormônio que o pâncreas libera e faz o contrário da insulina: estimula o estoque do fígado, que manda glicose ao sangue. A forma em medicamento é para quedas graves, ou seja, quando a pessoa não se recupera sozinha. O ponto principal: quem aplica não é o próprio paciente, e sim alguém ao lado.
O corpo tem seu próprio hormônio contra a queda, chamado glucagon. Quando a glicemia começa a cair, as células alfa do pâncreas liberam glucagon; o hormônio chega ao fígado e ali faz o glicogênio armazenado virar glicose. O fígado não para por aí, também parte para produzir glicose nova do zero. Se a insulina é o hormônio que coloca o açúcar nas células, o glucagon é o que o tira do estoque e o entrega à circulação.
O glucagon em medicamento repete de fora o trabalho que o próprio corpo faz. A situação que o exige é estreita e clara: não dá para acordar a pessoa, ela não responde a perguntas ou não consegue engolir. Num momento assim o açúcar colocado na boca não resolve; como o reflexo de engolir não funciona, surge o risco de ele descer pela traqueia. O glucagon não exige engolir, porque não é absorvido no estômago, e sim no músculo, sob a pele ou na membrana fina de dentro do nariz.
| Pergunta | Carboidrato pela boca | Glucagon |
|---|---|---|
| A quem serve | Pessoa acordada, que consegue engolir | Pessoa que não consegue engolir ou não acorda |
| Quem aplica | A própria pessoa | Outra pessoa que está ao lado |
| De onde vem o açúcar | De fora, pela digestão | Do próprio estoque no fígado |
| Depois | Nova medição | Ajuda médica, carboidrato ao se recuperar |
Hoje duas formas são comuns. Uma entra por agulha. Antes o pó e o líquido ficavam separados dentro da caixa, e quem aplicava tinha de misturar os dois; na correria esse passo falhava com frequência. As canetas prontas e as seringas pré-preenchidas eliminaram de vez esse passo da mistura. A outra é um pó borrifado no nariz; a pessoa não precisa puxar o ar, o pó atravessa sozinho a membrana nasal. Os padrões de cuidado da ADA põem as formas prontas na frente pela facilidade de uso.
A questão principal é quem vai saber. A definição de queda grave já é esta: a pessoa não se recupera sozinha, precisa da mão de outro. Por isso a ADA diz para prescrever glucagon a todos que usam insulina ou têm risco alto de queda, e para ensinar às pessoas próximas onde fica a caixa e como usá-la. As pessoas da casa, o colega de quarto, o colega de mesa no trabalho, o funcionário da escola, quem viaja ao seu lado. Se ninguém conhece a caixa da bolsa, é como se ela não estivesse ali.
O primeiro limite do glucagon é o próprio estoque. Quando o glicogênio do fígado diminui, o efeito enfraquece; jejum longo, álcool e doença do fígado levam a isso. E o que mostra que o estoque ficou insuficiente? O esperado, dentro dos quinze minutos seguintes à aplicação, é os olhos abrirem, a voz voltar, o olhar se recompor. Se isso não acontece, o quadro não se fechou com o glucagon; as fontes descrevem esse ponto como o momento de pedir ajuda médica sem demora.
O segundo limite é o tempo. A glicemia sobe por um tempo, depois começa a cair de novo. O sinal disso é o suor, o tremor e a confusão mental voltarem depois que a pessoa se recupera. Para isso, as fontes falam em voltar ao carboidrato quando a pessoa conseguir engolir. Náusea e vômito são efeitos colaterais frequentes; por isso os materiais de treinamento ensinam a deitar a pessoa de lado.
- A própria pessoa pode usar o glucagon?
- Numa queda leve não é preciso; numa queda grave a pessoa já não consegue agir sozinha. A definição é essa. Por isso a questão principal é as pessoas ao lado conhecerem a caixa.
- Existe uma forma sem agulha?
- Sim, existe a forma em pó borrifada no nariz. O pó é absorvido pela membrana úmida de dentro do nariz, sem que a pessoa precise puxar o ar. As fontes explicam essa forma pelo fato de alguém sem treino conseguir aplicá-la com mais facilidade.
- O glucagon funciona em toda queda?
- O efeito dele depende do estoque no fígado. Num jejum longo e depois do álcool o estoque diminui, e a resposta obtida fica fraca. Não há nada que meça isso; o indicador é a própria pessoa. Se ela não acorda, a resposta não veio e o trabalho não terminou com o glucagon.
Fontes consultadas
- American Diabetes Association Professional Practice Committee. 6. Glycemic Goals, Hypoglycemia, and Hyperglycemic Crises: Standards of Care in Diabetes—2026. Diabetes Care. 2026;49(Supplement_1):S132–S149. doi:10.2337/dc26-S006
- Morris CH, Baker J. Glucagon. In: StatPearls. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2025. (Last updated: 6 February 2025.)
- Rix I, Nexøe-Larsen C, Bergmann NC, Lund A, Knop FK. Glucagon Physiology. In: Feingold KR, Anawalt B, Blackman MR, et al., editors. Endotext. South Dartmouth (MA): MDText.com, Inc.; 2019.
- La Sala L, Pontiroli AE. New Fast Acting Glucagon for Recovery from Hypoglycemia, a Life-Threatening Situation: Nasal Powder and Injected Stable Solutions. International Journal of Molecular Sciences. 2021;22(19):10643. doi:10.3390/ijms221910643
- Türkiye Endokrinoloji ve Metabolizma Derneği (TEMD). Diabetes Mellitus ve Komplikasyonlarının Tanı, Tedavi ve İzlem Kılavuzu-2026. 17. Baskı. TEMD; 2026. ISBN 978-625-99759-8-6